Etapas do desenvolvimento infantil

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Publicado em:
15 Fevereiro, 2021

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O desenvolvimento da linguagem dos 0 aos 6 anos

O termo linguagem reporta-se à utilização da fala, escrita e gestos como forma de expressar as nossas necessidades, desejos e vontades e de comunicar com os outros. (1)

Cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento, contudo, existem padrões que se devem esperar consoante a sua idade cronológica.

Dos 0 aos 12 meses

Desde o primeiro dia de vida a criança começa a comunicar. Embora ainda não consiga verbalizar, entre os 0 e os 6 meses, o bebé é capaz de comunicar as suas necessidades através de um choro diferenciado. Começa, ainda, a reagir aos sons através do olhar e a produzir sons como “p”, “m” e “t”. Dos 6 aos 12 meses, começa a produzir sons para chamar a atenção do adulto, a dizer uma ou duas palavras (p.e. “mamã) e a identificar objetos do uso comum do dia-a-dia. (1.2)

Dos 12 aos 18 meses

Entre os 12 e os 18 meses inicia a utilização de palavras para expressar uma ideia completa (holofrases) e a imitar as ações do adulto, já identificando um número razoável de objetos e compreendendo verbos de ações comuns do seu dia-a-dia como, por exemplo, comer e brincar.

Dos 18 aos 24 meses

No estádio seguinte, entre os 18 e os 24 meses é esperado que imite sons de animais, junte duas palavras numa frase (p.e. “gato come”), responda a perguntas de sim e não, aponte algumas partes do corpo, identifique objetos e as suas imagens e diga não indiscriminadamente. (1)

Dos 2 aos 3 anos

Dos 2 aos 3 anos, ocorre um grande desenvolvimento da linguagem, sendo que, a criança deve ser capaz de associar os verbos às imagens, reconhecer os graus de parentesco e os conceitos de “grande”, “pequeno” e “muito”, identificar as cores, nomear os objetos do dia-a-dia, utilizar frases com quatro palavras e fazer perguntas simples. (1)

Dos 3 aos 4 anos

No período dos 3 aos 4 anos, é esperado que já respondam a perguntas com os pronomes “quem”, “onde” e “o quê”, adquiram os locativos (p.e. “à frente”), descrevam acontecimentos passados, embora não considerem a sequência em que estes ocorreram e saibam dizer o seu nome e idade. (1,3)

Dos 4 aos 5 anos

Na faixa etária dos 4 aos 5 anos, é suposto que cumpra ordens complexas, responda a perguntas simples, mantendo o tópico da conversação, pergunte o significado de novas palavras e articule corretamente a maioria dos sons do português europeu. (1)

Dos 5 aos 6 anos

Por fim, na fase dos 5 aos 6 anos, a criança adquire as noções temporais (dias da semana, amanhã, hoje, ontem), identifica as letras do seu nome e conta histórias, muitas vezes, sem as terminar. Ao nível da articulação, podem persistir dificuldades em casos específicos como certos grupos consonânticos (p.e. “prato”). (1,2)

Principais sinais de alerta

Em cada idade, existem alguns indicativos de que deverá procurar um Terapeuta da fala. Desta forma, deveremos estar atentos a alguns sinais de alerta:

  • Se entre os 0 e os 6 meses, não reagir a sons ou não sorrir;
  • Se entre os 6 aos 12 meses, a criança deixou de produzir sons, não reage ao seu nome ou a sons habituais;
  • Se por volta dos 12 aos 18 meses, não usa monossílabos, não brinca ou não olha;
  • Quando na fase dos 18 aos 24 meses, não cumpre ordens simples ou não junta duas palavras numa frase;
  • Quando entre os 2 aos 3 anos, utiliza apenas duas palavras ou não usa frases;
  • Se na faixa dos 3 aos 4 anos, apresenta um discurso ininteligível ou não usa frases simples;
  • Se entre os 4 aos 5 anos, omite ou troca sons, como trocar o “d” por “t” ou ter dificuldade em iniciar uma conversa;
  • Finalmente, entre os 5 e os 6 anos, os sinais de alerta prendem-se com dizer palavras ininteligíveis ou utilizar frases mal estruturadas. (3)
Conclusão

Como mencionado anteriormente, cada criança tem um ritmo de desenvolvimento próprio e, embora existam etapas convencionais para o desenvolvimento da linguagem, este não ocorre de forma linear e, por vezes, pequenas diferenças não significam uma perturbação do desenvolvimento da linguagem, pelo que, em caso de dúvida deverá pedir opinião de um Terapeuta da Fala.

Devemos sempre ter em mente que, para aprender a falar e a comunicar, é necessário que a criança tenha acesso a um ambiente estimulante e rico em experiências, vivencie trocas verbais e não-verbais, ouvindo os outros a falar e tendo oportunidades para repetir ou imitar palavras e pequenas frases que ouve e, ainda, que sinta necessidade e/ou desejo de comunicar. Encoraje a criança a escutar os sons que ouve, explicando o que são, enriqueça o seu vocabulário, utilizando palavras que ela não conhece e explicando o seu significado e vendo livros em conjunto.

Autora

Jéssica Pina, Terapeuta da Fala (C-065971078) no CMV-Centro Médico de Viseu

Bibliografia e Referências Bibliográficas

1) Sim-Sim, I. (1998). O desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta

2) Mendes, A., Afonso, E., Lousada, M., & Andrade, F. (2009). Teste Fonético-Fonológico Alpe. Aveiro: Universidade de Aveiro

3) Rombert, J. (2013). O gato comeu-te a língua? Lisboa: A Esfera dos Livros.

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