Terapia da Fala – Dislexia

Dislexia

Numa época em que as crianças dominam facilmente as novas tecnologias e os computadores, os adultos, têm, por vezes, dificuldades em compreender que 20 por cento sofrem actualmente de dificuldades de aprendizagem. Desses, cinco a dez por cento sofrem de dislexia, um problema crescente nas nossas escolas que durante décadas foi mal compreendido e confundido com “desleixo e preguiça”.
Por se tratar de um problema complexo, definir a dislexia não é tarefa fácil. De uma forma muito simplista pode dizer-se que se trata de uma dificuldade persistente em ler e escrever, apesar de existir uma escolaridade regular, uma inteligência normal e um meio sócio-cultural propício ao desenvolvimento da leitura. Se não for detectado a tempo pode originar vários problemas. O mais evidente passa pelo insucesso escolar, mas se nada for feito para inverter o processo a criança poderá desenvolver baixa auto-estima, depressão e agressividade.

A dislexia pode revelar-se de várias formas e é comum, as crianças apresentarem mais do que um tipo de dislexia. Poderá ser caracterizada como de movimento, por dificuldade em memorizar os movimentos da escrita em que o aluno inverte as letras e os números. Fonética, na qual a criança reconhece visualmente um número limitado de palavras, por isso comete erros semânticos e substitui palavras quando lê. E do tipo visual, que se manifesta por uma incapacidade em “ver” as palavras escritas na cabeça. Neste caso, a leitura torna-se, por isso, lenta e confusa. O aluno não se lembra do que acabou de ler.
Quanto à origem da dislexia, não existe um grande consenso entre os especialistas. Contudo, a maioria concorda que poderá ter a ver com a maior simetria do cérebro. Esta particularidade faz com que o hemisfério esquerdo, que controla o mecanismo da fala e da linguagem, seja menos desenvolvido, sendo por isso, mais difícil à criança dominar esta faceta da aprendizagem. Em compensação, quem é afectado por este problema tem uma facilidade natural para ver e compreender o mundo a três dimensões, o que só agrava a dificuldade em dominar tudo o que tem a ver com letras, um universo a duas dimensões.

Para eles, a letra “b” invertida continua a ser “b”, quando para todos os outros alunos o facto de a bola estar à esquerda transforma imediatamente a letra num “d”. Para perceber esta lógica basta pensar que para nós um lápis não deixa de ser um lápis apenas, porque se encontra numa posição diferente.
A criança disléxica é inteligente e este problema não pressupõe qualquer tipo de atraso mental, pelo contrário, muitos disléxicos apresentam níveis de maturidade muito elevados para a idade e conseguem resolver problemas complexos com aparente facilidade. Por outro lado, trata-se de uma questão que afecta todos os quadrantes sociais. As crianças provenientes de um meio em que os pais são licenciados têm a mesma probabilidade de serem disléxicas em relação aos que têm uma escolaridade mínima.

São vários os sinais de alerta que permitem detectar a existência de dislexia, entre eles o atraso na aquisição da linguagem, a construção frásica tardia, a dificuldade em pronunciar determinados sons, a dificuldade na linguagem oral, a troca de letras (f/v; p/b; ch/j; p/t), as omissões (livo/livro; casaco/casa), a má caligrafia e as letras rasuradas.

Terapeuta da Fala
Dra. Joana Alves

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